Adestramento
dezembro 3, 2014 postado por Blog do Cachorro


Superproteção do Cão – Por que não?

Por Nadia Silva Castro

Porque não devemos superproteger nossos cães

Será que você pode estar superprotegendo seu cachorro?

Você sabe o que é superproteção? Tratar o cãozinho com amor e respeito, sim, claro que fazemos isso! Ele precisa de comida apropriada, água fresca, um local seguro, limpo e aconchegante para morar e dormir, carinhos, remedinhos e visitas ao veterinário quando está doente, vacinas para evitar doenças graves, atividades físicas para se manter em forma e combater a ansiedade, brinquedinhos e outros passatempos, companhia.

Não queremos que nada de mal aconteça com ele. Não queremos que o cãozinho se machuque ou contraia alguma doença, nem que sinta dor, ansiedade, medo, fome. Queremos nossos queridinhos peludos sempre saudáveis e felizes, não é mesmo?

Superproteção do Cão – Porque não podemos superproteger nossos cachorros

Superproteção do Cão – Porque não podemos superproteger nossos cachorros

Veja alguns equívocos que caracterizam a superproteção e podem ser um problema para a personalidade de seu cachorro

Para que a integridade do animal esteja garantida, algumas pessoas evitam que o cachorro tenha contato social com outros cachorros. Tentam impedir que ande pela grama para não se sujar. Lavam em excesso as patinhas do cachorro toda vez que voltam de um passeio. Dão banho com muita frequência para garantir a higiene do cachorro. Oferecem petiscos variados ao longo do dia para que o cachorro não sinta fome, ou não passe vontade de comer determinada coisa. Fazem festa para o cãozinho assim que retornam para casa depois que o cachorro ficou sozinho por algumas horas. Oferecem carinho ao cachorro para acalmá-lo quando ele se encontra em uma situação de estresse ou medo, por exemplo, devido ao barulho de fogos. Receiam reprender o cachorro depois de um mal comportamento, para não magoá-lo ou porque é tão “bonitinho”. Acreditam que ensinar truques para o cachorro requer uma porção de crueldade.

Alguns dos hábitos e comportamentos acima mencionados são bem compreensíveis, pois o contrário poderia expor o cão a riscos. Alguns hábitos são até mais do que óbvios, ora é lógico que brinco com meu cachorro assim que volto para casa, o que há de mal nisso?

Precisamos ficar atentos, pois o cachorro não percebe o mundo da mesma forma como nós, Humanos. Por exemplo, se colocarmos o brinquedinho preferido dele – enquanto ele observa atentamente – em baixo de um travesseiro, para nós, é claro que o brinquedo continua em baixo no travesseiro. Mas por que o cão muitas vezes não vai lá e pega, seria tão simples, não?

Porque para nosso amigo de quatro patas, essa regra pode não ser tão óbvia. Ele pensa diferentemente de nós.

Entenda como superproteger seu cão pode confundi-lo, devido ao modo como ele pensa

Porque a superproteção não é positiva para um cachorro

Porque a superproteção não é positiva para um cachorro

Pensamentos possíveis do cão nessa situação: O brinquedo estava bem aqui, na mão do meu dono, e agora, sumiu. Se transformou em travesseiro? Foi ingerido pelo travesseiro? Sumiu, sem nenhuma explicação? Você (dono) está com o meu brinquedo, devolva! Quero meu brinquedo. De um determinado ponto de vista, o cão não é menos inteligente do que nós. Mas ele tem, definitivamente, outro jeito de perceber o mundo e entender o que está se passando. E por isso nem sempre podemos confiar nos nossos instintos humanos, pois não funcionamos do mesmo jeito. Não podemos tratar o cachorro do mesmo modo que trataríamos uma criança, por mais que gostemos do cachorro, porque ele precisa de outro tratamento para se desenvolver saudavelmente. Por isso, agir até um certo ponto contra o instinto de superproteger pode ser difícil e estranho, mas muitas vezes é necessário para que o cachorro se torne mais feliz. Claro que não podemos dar ou seguir uma receita sobre como cuidar e tratar de seu cão. Cada um é único em seu porte, caráter e comportamento. Há cachorros ativos, extrovertidos, tímidos, relaxados, mais e menos sociáveis, dengosos…Observe seu cão. Ele fica imensamente feliz quando encontra um pessoa diferente, adora conhecer novos cachorros, é brincalhão?

Nesse caso, seria meio triste confiná-lo mesmo se o intuito é protegê-lo de doenças e dentadas, não acha? Se seu cão é extremamente ativo mas ao mesmo tempo alegre e dócil, vale a pena localizar um espaço onde você possa soltá-lo para ele se socializar com outros cachorros e pessoas em uma área verde cercada. Muitos condomínios oferecem uma área assim. Nesses espaços, o cachorro poderá queimar energias, correr com os novos amiguinhos e ser feliz. É claro que antes você precisa certificar-se de que as vacinas e o remédio de pulgas e carrapatos estejam em dia. Observe as pessoas que frequentam a área. Elas recolhem as fezes dos animais? Os cachorros são dóceis e brincalhões? Converse com as pessoas, tire dúvidas. Solte seu cachorro inicialmente quando não tiver ninguém, se se sentir mais seguro assim. E mesmo se ele se sujar um pouco de terra, você provavelmente se sentirá muito feliz só de ver a alegria do animal livre.

Veja algumas idéias para você tornar seu cachorro mais sociável com outros animais e com pessoas

 Agir até um certo ponto contra o instinto de superproteger pode ser difícil e estranho

“Agir até um certo ponto contra o instinto de superproteger pode ser difícil e estranho”

Outra opção para o cão socializar são Resorts, frequentemente encontrados em grandes cidades e capitais, que oferecem atividades e recreação para os cães. Em alguns lugares, há até banhos de piscina e massagens inclusos no pacote, no entanto, pode sair bem mais caro do que outras opções. Mas seja qual for a situação de encontro social e atividades físicas, você notará seu cão mais calmo em casa, menos ansioso. Se ele tinha tendência a roer móveis e destruir objetos, provavelmente poderá observar uma mudança em seu hábito. Ao chegar em casa de um passeio, passe um pano umedecido com banho seco nas patas e outro pano no focinho e onde se sujou mais, assim evitará sujar sua casa. Não é necessário dar banho mais do que o indicado para a raça e o pelo de seu cão. Caso exagere no número de banhos por mês, seu cão se tornará vulnerável a alergias e caspas. Além do mais, a situação do banho forçado estressa os animais de um modo geral.

Mesmo após um dia de muitas atividades, a alimentação do cachorro deve ser a mesma que está acostumado. Evite variar a marca da ração ou a comida, pois o estômago do cachorro não lida tão bem com mudanças alimentares. Um petisco ou outro, claro que pode, mas sempre com moderação, e nunca para substituir uma refeição. Tente alimentá-lo sempre nos mesmos horários, pois uma rotina faz bem para o equilíbrio emocional do seu peludo. Ele se acostumará com a quantidade e a ração e não passará fome. Sugiro evitar dar pedacinhos do seu lanche, ou almoço, mesmo que seja algo que o cachorro possa comer, para não criar uma nova ansiedade no cachorro. Pois sempre que você sentar à mesa, ele vai esperar ansiosamente por algum agrado. Já se você nunca dá, ou melhor, oferece a ração dele nesse horário, no potinho dele, ele vai provavelmente comer a ração em vez de ficar pedindo petiscos que fazem mal para o organismo dele e desenvolvem uma ansiedade e o costume de pedir comida ou até atrapalhar você durante sua refeição.

Pensando em agradar o cachorro, fazemos “festa” logo que chegamos em casa. Isso deve ser evitado, pois gera ansiedade no cachorro: ele vai esperar ansiosamente pelo momento mágico, a hora que a porta se abre e o dono chega. Além de criar esta expectativa, é sempre necessário evitar brincar ou fazer carinho no cachorro quando ele está com um sentimento indesejável, por exemplo, no caso da hora quando o dono chega, uma imensa ansiedade. Não seria correto recompensar esse sentimento, porque o cachorro pode entender que aprovamos a ansiedade dele. Em vez disso, deixe-o se acalmar. Ele entenderá que é necessário ficar calmo para receber a atenção que tanto deseja. Assim, ele não fica o dia inteiro aguardando a chegada do dono, mas compreende que, se ele se manter calmo, vai acontecer exatamente o que ele quer. Carinhos e festas, finalmente. Vale o mesmo para a situação do medo.

 Não faça carinho ou brinque com ele quando estiver com medo, porque ele pode entender que o medo é algo positivo

“Não faça carinho ou brinque com ele quando estiver com medo, porque ele pode entender que o medo é algo positivo”

E queremos justamente o contrário, acalmar e animar nosso pet. Não fale com uma voz fina com ele, como se fosse um bebê. Ele pode achar que você está triste e sofrendo, e sofrer mais ainda. Em vez disso, haja normalmente. “Ignore” seu cãozinho enquanto estiver estressado, na medida do possível. Em vez disso, dê atenção e carinho na hora que estiver calmo e feliz. Por fim, é importante educar o cachorro. Não é necessário usar medidas físicas, muito menos brutalidade, mas é importante ter um comportamento sempre estável, pra não confundir o cachorro. Se ele não pode uma coisa, não pode nunca, não haverá exceções. Caso contrário, pode gerar uma confusão na cabeça de seu cãozinho. Para educar seu cachorro, prefira métodos positivos. Recompense um comportamento bom em vez de reprender um comportamento ruim, sempre que possível. Tente usar métodos que não agridem seu cão, como o método do clique. Cachorros famosos que executam truques e são conhecidos mundialmente foram educados com esse tipo de método, sem punições físicas, sem crueldade.

É importante educar seu cachorro, pois quanto mais educado, mais liberdade ele pode ter. Se ele parar de roer sua mobília, poderá talvez finalmente circular livremente pela casa, sem precisar ficar confinado em um espaço menor? Educar também é importante para a segurança do seu animal. O comando “solta” pode salvar a vida do seu cão, se ele estiver abocanhando algo perigoso. Ou “senta”, quando ele está prestes a fugir, porque se soltou da coleira.

“Truques” que podem salvar a vida de seu cão e não significam crueldade ou brutalidade.

Educação X Superproteção = Condições antagônicas

Educação X Superproteção = Condições antagônicas

Agora, tente observar seu comportamento, veja também o comportamento de seu cão. O que gera ansiedade, medo, nervoso nele? Como você pode ajudá-lo? É possível mudar algum hábito, criar um novo comportamento? Mesmo se em um primeiro momento pareça ser cruel, lembre-se de que você vai parecer ser “indiferente” para causar uma diferença na vida de seu cachorro, e consequentemente em sua vida: Cães e donos mais felizes.

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