Prevenção
janeiro 2, 2014 postado por Li Kuvasz


Leptospirose canina – Entenda melhor a leptospirose

O que é leptospirose canina? O meu cachorro pegou um rato, é perigoso ele estar com leptospirose? Leptospirose canina pode ser transmitida para o ser humano? Meu cachorro tomou vacinas, mesmo assim ele pode ter leptospirose? Como se pega leptospirose? Quais os sintomas de um cachorro que tem leptospirose? Leptospirose tem cura? Há mais de um tipo de leptospirose? Meu cachorro já teve leptospirose e se recuperou, ele pode ter leptospirose novamente? Como prevenir que meu cachorro pegue leptospirose?

Muita gente que tem cães certamente já se deparou com algumas destas questões. Primeiro é importante dizer que a leptospirose é uma doença que afeta muitos tipos de animais, não apenas os cães e que ela ocorre em todo o mundo.

O organismo que causa a leptospirose pertence a um grupo de organismos semelhantes às bactérias, eles possuem um aspecto espiralado e são conhecidos como leptospira. Estes organismos estão presentes na natureza, e muitos deles são encontrados no meio ambiente e não causam danos aos animais. No entanto alguns destes organismos infelizmente causam grandes estragos quando entram em contato com o organismo de outros seres vivos.

O que é a leptospirose canina?

O que é a leptospirose canina?

Cerca de 230 tipos diferentes de leptospira já foram identificados. E apenas alguns deles são conhecidos por provocar doenças em cães e gatos. São eles:

  1. Leptospira icterohaemorrhagiae
  2. Leptospira canicola
  3. Leptospira grippotyphosa
  4. Leptospira pomona
  5. Leptospira bratislava
  6. Leptospira automnalis
  7. Leptospira bataviae
  8. Leptospira hardjo
  9. Leptospira grippotyphosa

 

Os quatro primeiros são os mais comuns que infectam os cães.

Segundo informação de veterinários os casos são mais frequentes no verão e no outono, provavelmente por nestas épocas os animais estarem mais do lado de fora de casa, em jardins e praças, entrando mais em contato com a natureza. Também é nesta época do ano que os períodos de chuvas são mais frequentes e por isso a leptospirose torna-se endêmica depois de fortes chuvas. A doença é mais comum em lugares como o Brasil com clima ameno e tropical. Regiões com temperaturas muito baixas diminuem a incidência da doença porque a leptospira não tolera temperaturas próximas ou abaixo de zero. Elas também morrem rapidamente em regiões secas, mas são resistentes em terrenos alagados, úmidos e com lama.

A leptospirose é uma zoonose, ou seja, atinge também seres humanos, é uma doença infecto contagiosa provocada por bactérias do gênero Leptospira, é uma das mais frequentes, sendo principalmente contraída nos meses chuvosos, em regiões alagadas, com falta de saneamento básico ou em locais frequentados por ratos, a maioria dos cães caçam ratos, portanto, há uma grande chance de seu cachorro contrair a leptospirose através da urina de um rato em sua rotina doméstica.

A leptospirose é transmitida por animais de diferentes espécies (roedores, suínos, caninos, bovinos) para os seres humanos e cães, e se multiplica apenas em seu hospedeiro,  a leptospira pode sobreviver indefinidamente nos rins dos animais infectados sem provocar nenhum sintoma. Fora do hospedeiro ela sobrevive somente em locais com muita umidade, com água parada, onde ocorrem enchentes, nestes locais a bactéria leptospira consegue sobreviver até 180 dias. E como já comentei anteriormente, é em épocas, que temos períodos constantes de chuvas que aumenta o perigo de contaminação pela leptospirose.

A Leptospirose atinge órgãos vitais dos seres vivos, como os rins e fígado e se dissemina para o baço, sistema nervoso central e pode chegar a atingir até os olhos.

Como ocorre a transmissão da leptospirose canina?

É importante apontar que a maioria dos animais infectados pela leptospirose e são responsáveis por sua transmissão, não apresentam um estado físico que caracterize que são portadores desta zoonose, consequentemente nossos cachorros ao serem infectados pela leptospirose geralmente não parecem estar doentes.

Neste caso, a leptospira se estabelece nos rins do animal. Este animal torna-se um hospedeiro da leptospira e portanto, um transmissor da doença. Estes espécimes de animais são os mais distintos e variam de acordo com cada região, os ratos e os gambás podem ser os transmissores mais comuns, mas certamente não são os únicos. Quando um destes animais faz xixi, ele contamina o ambiente com a leptospira viva, disseminando a leptospirose por uma grande região. Às vezes, contaminando o meio ambiente por meses e às vezes, por toda a vida.

Seu cachorro pode ser infectado pela leptospirose apenas por cheirar esta urina. Mais frequentemente, a leptospira é levadas pelas chuvas e resiste um bom tempo em água parada. Portanto se seu cachorro brincar, nadar ou beber uma água que esteja contaminada pela leptospirose, ele poderá desenvolver a doença.

Embora esta seja a forma que a leptospira costuma passar de animal para outro animal, ela também poderá entrar na corrente sanguínea através de uma ferida mal cicatrizada ou até mesmo por uma mordida ou um alimento que esteja infectado.

Devido a estes fatores, cães de trabalho que passam muito tempo em áreas arborizadas ou pantanosas são mais propensos a pegar leptospirose. Cachorros que vivem dentro de casa ou em áreas com menos animais transmissores, correm menos riscos de desenvolver a leptospirose.

Resumindo, a leptospirose penetra no organismo do cachorro através das mucosas ou da pele lesionada, por contato direto com outros animais infectados, ou por transmissão indireta, com um animal susceptível ficando exposto a um ambiente contaminado. Depois de 4 a 11 dias do contágio, a bactéria alcança a corrente sanguínea, multiplicando-se rapidamente causando a leptospiremia.

Quais são os sintomas da leptospirose canina?

Existem sintomas característicos que os veterinários associam com a leptospirose. No entanto esta é uma doença que ataca cada indivíduo de forma diferente, resultando em sintomas distintos e por isso, nem todos os sinais típicos estarão necessariamente presentes em todos os cachorros infetados com leptospirose.

Os sintomas iniciais da leptospirose podem ser febre,depressão, aumento do número de glóbulos brancos na corrente sanguínea (leucocitose), perda de proteína que é eliminada pela urina (albuminúria), hemorragias em vasos sanguíneos e hematomas com manchas vermelhas e roxas na pele (petequias/equitomoses), alterações na pigmentação  da pele e dos olhos causando uma coloração amarelada da pele e um branco total nos olhos (ictericia) devido a colestase. Estes sintomas são ocasionados pela invasão da bactéria Leptospira em varios orgaõs como rins, fígado, baço, sistema nervoso central e olhos. Neste estágio da leptospirose, um cão infectado sentirá frio e terá calafrios, provavelmente sentirá dores na barriga e em alguns casos poderá babar e vomitar. A perda de apetite é outro quadro comum em animais neste estado. A febre poderá provocar muita sede, levando o cachorro a beber água excessivamente.

O quadro dependerá das condições imunológicas, idade, fatores ambientais e virulência do sorovar. A leptospirose nos cães pode se apresentar em 3 quadros, peragudo, agudo ou crônico.

Nos quadros crônicos, os sinais clínicos podem não ser tão perceptíveis. Pode haver febre sem causa aparente e também conjuntivite. Além disso, distúrbios hepáticos e renais.

No quadro peraguda, o animal pode apresentar intensa leptospiremia, choque, evoluindo para a morte rapidamente.

Nos quadros agudos os sinais clínicos são febre, leucocitose e albuminúria.

Diagnóstico da leptospirose canina

O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais, como urinálise, hematologia, sorologia e identificação da bactéria no tecido.

Os sintomas que comentamos acima, adicionados ao histórico da rotina de seu cachorro, farão com que seu veterinário suspeite da doença. O mais comum é que a leptospirose ocorra de forma epidêmica e se for este o caso, certamente seu veterinário estará de sobreaviso do está ocorrendo em sua região. Caso seu cachorro seja submetido a exames e não seja constatado que ele tenha contraído leptospirose, como os sintomas variam muito entre um cachorro e outro, também não é incomum que o exame dê um resultado negativo em um animal infectado. Portanto se persistirem sintomas que possam caracterizar a leptospirose é sempre interessante insistir em um segundo exame com seu veterinário.

Também é importante ressaltar que existem um grande número de doenças caninas que podem dar os resultados de teste idênticos ao observado em casos de leptospirose. Como a erliquiose, babesiose, doença autoimune, hepatite infecciosa canina, herpes canina, a brucelose canina e alguns tipos de envenenamentos. Por este motivo, o veterinário poderá optar em administrar antibióticos e repetir exames. Existe um teste extremamente sensível para encontrar leptospira no corpo dos cães e certamente seu veterinário fará este exame para fechar o diagnóstico. Tanto a urina quanto o sangue de seu cachorro são utilizados para análise.

Após os primeiros dez dias de infecção, os anticorpos do organismo que estejam agindo contra a leptospirose já poderão ser detectados no sangue do seu cachorro caso ele esteja infetado com a leptospirose. Mesmo assim, o teste de anticorpos pode dar positivo em cães não infetados, devido a vacinações anteriores e sendo assim, o quadro clínico apresentado pelo cão não é ocasionado pela leptospira e sim por outro agente que deverá ser investigado mais aprofundadamente.

Leptospirose canina pode ser transmitida para o ser humano?

Sim, se o organismo vivo da leptospira conseguir entrar em seu corpo, você certamente também poderá ficar doente. Os sintomas em humanos podem ser muito semelhantes aos descritos neste mesmo texto. A leptospirose contraída por pessoas também pode ser inicialmente assintomática. Mas quando a leptospira se instala no organismo humano, os sintomas são febre alta repentina, mal-estar, dor muscular, dor de cabeça e no tórax, olhos vermelhos, tosse, fadiga, calafrios, náuseas, diarreia, desidratação, manchas vermelhas no corpo, podendo até causar meningite. No entanto, um estudo de 2010 descobriu que é muito improvável que você pegue leptospirose de seu animal de estimação, se você tomar as medidas sanitárias adequadas. Justamente porque a urina é o difusor mais comum de leptospirose, é muito importante que você tome medidas rígidas de higiene no ambiente para não expor nem você nem sua família à urina do seu animal de estimação, caso ele esteja infectado com leptospirose. Inclusive animais que já estejam recuperados podem lançar a leptospira em sua urina durante meses, então é muito importante que você e sua família mantenham em mente o quanto é importante ter uma limpeza rigorosa em todos os lugares onde seu cachorro faz xixi, mesmo depois que seu cachorro estiver curado.

Se seu cachorro foi infectado pela Leptospirose e está se recuperando, você poderá tomar algumas medidas importantes para que outros animais e outras pessoas não corram o risco de serem infectadas pela doença:

  • É recomendado que um único membro de sua família cuide do cachorro doente.
  • Limite o perímetro de acesso de seu cachorro à uma área que possa ser higienizada constantemente e praticamente.
  • Evite o contato do cachorro infectado com outros animais de estimação e crianças.
  • Use luvas de látex sempre que for manipular o cachorro, os pratinhos e seus brinquedos.
  • Caso seu cachorro fique restrito em um lugar interno, leve ele para fora para urinar com frequência e de preferência em um lugar cimentado, que seja fácil limpar imediatamente com água sanitária.
  • Sempre que manipular seu cachorro, lave bem as mãos com sabonete antibacteriano e depois desinfete as mãos com algum desinfetante a base de iodo.

 

Tomando estas medidas você irá diminuir consideravelmente o risco de contrair leptospirose de seu cachorro,  mas lembre-se, caso alguém de sua família apresente algum dos sintomas descritos neste artigo, é fundamental que você alerte o seu médico sobre o estado clínico de seu cachorro.

Tratamento da leptospirose canina

São utilizados antibióticos como a penicilina, ampicilina, amoxicilina, doxiciclina. para reduzir a multiplicação das bactérias do tipo Leptospira reduzindo assim os danos causados por ela. Deve-se manter o cão estável durante a fase aguda da doença, prevenindo grandes lesões em órgãos, como fígado e rins e suprimir a leptospirúria.
Na fase aguda se faz necessário uma terapia intensiva de suporte dependendo da severidade do quadro. O prognóstico é reservado quando há insuficiência renal ou disfunção hepática, e desfavorável em pacientes com choque ou coagulação intravascular disseminada.

Meu cachorro já teve leptospirose e se recuperou, ele pode ter leptospirose novamente?

Sim, um cachorro que já foi infectado poderia ser re-infectado pela leptospira, afinal existem vários tipos delas. No entanto é muito difícil que um cachorro desenvolva a leptospirose duas vezes. O cachorro recuperado desta doença irá ficar imune à cepa específica de leptospira que foi infectado, enquanto anticorpos protetores permanecerem em seu corpo. No entanto o cachorro continuará susceptível a outras cepas de leptospira, caso ele seja exposto a elas no meio ambiente contaminado. As vacinas que são utilizadas pelos veterinários protegem seu cachorro contra várias cepas de leptospira. Portanto a melhor maneira ainda é  prevenir, a vacinação anual previne o contágio, cuide do seu amigão, assim você estará cuidando de si mesmo, a leptospirose é uma zoonose. Por isso todo cachorro deve tomar esta vacina periodicamente.

Como prevenir que meu cachorro pegue leptospirose?

Limitar o acesso do seu animal de estimação em áreas onde possa ocorrer o risco de ter água contaminada é a melhor maneira de evitar a leptospirose. Muitas pessoas que vivem em áreas de subúrbio, alimentam animais de estimação e também bichos silvestres, ou até mesmo vira-latas e gatos de rua na área externa de sua casa. Esta ação, atrai roedores e animais que podem ser possíveis portadores de leptospira, portanto este tipo de comportamento deve ser evitado. As pessoas geralmente sabem que a limpeza do quintal e jardim de suas casas é de vital importância para diminuir a população de roedores em torno de suas propriedades, no entanto, muitas vezes não se dão conta que elas mesmas acabam provocando o aparecimento de ratos e assim colocando em risco a vida de seus animais de estimação.

Saiba + Sobre Leptospirose Canina

Leptospirose em cães – Texto em inglês

Vídeo do Programa Pet e Cia sobre a Leptospirose

Veja + Como Cuidar Melhor de seu Cachorro

Tudo sobre filhotes – Saiba tudo sobre o mundo dos filhotes no Blog do Cachorro

Tudo sobre cuidados e saúde dos cachorros

Calor – Cuidados com os cachorros no verão

Guia para aquisição de um filhote saudável – Parte I

Dicas caseiras para tratar seu cachorro

Por que os cachorros comem terra?

Por que os cachorros comem grama?

Vacina para cachorro – Esquema de vacinas para cachorros filhotes

Giárdia em cachorro – Giardíase

Adoção e posse responsável

Leishmaniose visceral canina

Parvovirose canina – Sintomas, prevenção e tratamento

Cuidados com o cachorro no inverno

Como acabar com os carrapatos?

A importância da vacinação para o cachorro

Cinomose – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Veja também no Blog do Cachorro:


Comentários

Colunista

Sou apaixonada por cachorro, não consigo imaginar minha vida sem eles. É muito bom poder falar sobre nossos amigos peludos aqui, crio Kuvasz e Norfolk Terrier, e será muito prazeroso dividir aqui nossas experiências.

Ver artigos de Li Kuvasz